José Roberto conheceu Fernanda numa dessas noites quentes de verão.
Ambos com a pele vermelha de sol reclamavam da fúria do astro rei naquele dia em particular.
'Não é tão ruim assim, a queimadura dá chance prá nascer uma pele novinha em folha. Descascar é bom.'
Fernanda nunca fala as coisas de sopetão. Quase sempre olha por cima, por baixo, pelo lado, e só então começa a cantar... é quase sempre assim... José Roberto mal sabia disso... olhando prá uma só direção tamanho incômodo causado pela pele vermelho-sol atropelou a frase e ouviu só a segunda parte.
O suficiente.
'às vezes a gente não escolhe, Fêr. Às vezes, a escolha escolhe a gente.'
Descalços e queimados de sol, deixaram o acaso virar caso
e caso
mais caso.
'eu caso, Zé, eu caso!'
'É como escrever uma canção, Fêr. Você pára olha e vê, no caso, o caso em questão - o objeto -, e ele te vê. Então ele começa a fazer parte de você, e você começa a entendê-lo como matemática - NÃO !! - Você começa a entendê-lo como dançar... seu corpo entra no ritmo do caso, e uma onda te atinge, - PÁ ! - e pronto! Você acaba com uma melodia nas mãos, e a melodia, - veja bem, Fêr - a melodia é sempre o mais importante numa cancão... a letra vem depois... A letra, na realidade, já está pronta, Fêr. Você junta uma, duas, três palavras e forma uma frase - digo, um verso - e depois outra, e outro e mais outro. O importante aqui é saber misturar as palavras, como ingredientes de uma receita. Quando você se dá conta, tem um strogonoff! O amor é assim, Fêr. Você tem frango - ou carne -, creme de leite, molho de tomate, cebola e alho e quando menos espera : VOILÀ! Strogonoff de frango - ou carne -'.
:: Lilith La fay 20:12 [+] ::
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